quinta-feira, 2 de setembro de 2010

início

Tudo que escrevi até hoje foi de certa maneira diferente do que to pensando agora, os assuntos mudaram, eu mudei.

Há um tempo atrás eu não sabia o que refletir, vivia num mundo fechado dentro de mim, sem saber que havia diversos mundos em minha volta que são interessantes e vale a pena conhecer. Acho até que estou fazendo mais que isso, eu estou vivendo nesses mundos a minha volta e construí um modelo de vida totalmente diferente do que eu pensava que teria.
Mas chega de falar de mundinho.

O interessante desse novo estilo de vida é que eu não espero mais nada dele, eu só deixo as coisas acontecerem, não do jeito "foda-se", mas eu estou dando uma liberdade pros acontecimentos. Antes eu planejava os mínimos detalhes e agora percebi que quando as coisas fluem elas ficam bem mais interessantes.

Sabe o que é você parar num engarrafamento desgraçado da linha vermelha e olhar pro por do sol e pensar: "cara, eu to vivendo a melhor fase da minha vida"? Então, é quase isso que eu percebo todo dia, mesmo tendo que fazer milhões de trabalhos, comendo mal e dormindo mal.

Agora eu preciso me adaptar, acostumar, aproveitar, pensar menos e produzir mais.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Cidade

se perguntas a um menino,
que está na Rio Branco,
onde fica a liberdade
ele irá dizer que está na cidade

vista do alto parece indefesa
vista de perto com tanta beleza
vivida
parece agitada
sentida
é de dar medo

sofrida
auspiciosa para os que têm vontades
promissora para os de carreira
esquecida para quem já vivera
e nunca viverá,
na cidade
que a cada dia que passa,
cresce
muda
renasce
desfalece

Vestibular

Paulo Roberto Parreiras
desapareceu de casa
trajava calças cinza e camisa branca
e tinha dezesseis anos.
Parecia com teu filho,teu irmão,
teu sobrinho,parecia
com o filho do vizinho
mas não era.Era Paulo
Roberto Parreiras
que não passou no vestibular

Recebeu a notícia quinta-feira à tarde,
ficou triste
e sumiu.
De vergonha?De raiva?
Paulo Roberto estudou
dura duramente
durante os últimos meses.
Deixou de lado os discos,
o cinema,
até a namoradinha ficou sem vê-lo.
Nem soube do carnaval.
Se ele fez bem ou mal
não sei:queria
passar no vestibular.
Não passou.Não basta
estudar?

Paulo Roberto Parreira
a quem nunca vi mais gordo,
onde quer que você esteja
fique certo
de que estamos do seu lado.
Sei que isso é muito pouco
para quem estudou tanto
e não foi classificado(pois não há mais
excedentes),mas
é o que lhe posso oferecer:minha palavra
de amigo
desconhecido.
Nessa mesma quinta-feira
em Nova York morreu
um menino de treze anos que tomava entorpecentes.
em S.Paulo,outro garoto
foi preso roubando carros.
E há muitos que somem
ou surgem como cometas ardendo em sangue,nestas noites,
nestas tardes,
nesses dias amargos.

Não sei pra onde você foi
nem o que pretende fazer
nem posso dizer que volte
para casa,
estude(mais?) e tente outra vez.
Não tenho nenhum poder,
nada posso assegurar.
Tudo que posso dizer-lhe
é que a gente não foge
da vida,
é que não adianta fugir.
Nem adianta endoidar.
Tudo o que posso dizer-lhe
é que você tem o direito de estudar.
É justa sua revolta:
seu outro vestibular.

(Ferreira Gullar; propício para o momento)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Dois Cigarros

dois cigarros é tudo que tenho
daqui a pouco não os terei
serão consumidos e esquecidos
assim como momentos que passei

ainda passo, lembrando do fracasso
como a frustração do artista desacreditado
o esquecimento do poeta da geração passada
o sonho de não viver acordado

temo a total ilusão e sentimento
quero sentir somente a crontradição
passar, suprir, acordar
diferente direção, mesmo momento